
Brigitte Bardot e Bob Zagury em Búzios, no verão de 1964
Quando a francesa Brigitte Bardot, o mais cobiçado símbolo sexual da época, chegou ao Rio de Janeiro, no verão de 1964, foi um pandemônio. O alvoroço dos fãs, fotógrafos e jornalistas se espremendo para ver a famosa atriz de cinema estava tão intenso que BB, como era conhecida, mal conseguiu sair do avião, acompanhada pelo namorado, um brasileiro-marroquino chamado Bob Zagury. Se o namoro já havia projetado a auto-estima nacional às alturas, a notícia de que a grande musa internacional, aos 29 anos de idade e em pleno auge da carreira, vinha tirar férias no Brasil causou verdadeira comoção.
Naquele distante 7 de janeiro de 1964, a máquina de produzir celebridades já funcionava a todo vapor, reforçando o mito de que todas as mulheres desejavam ser Brigitte Bardot e que todos os homens desejavam Brigitte Bardot. Com muito custo, a atriz escapou do assédio no aeroporto e seguiu de carro em disparada, direto para o apartamento de Bob Zagury na Avenida Atlântica, em Copacabana, onde ficou praticamente detida em cárcere privado, com o trânsito parado e a imprensa fazendo plantão na porta do prédio. Depois de passar uma semana inteira mergulhada nesse constrangedor impasse, BB anunciou que voltaria para a França.
Numa tentativa de resolver a confusão, foi oganizado um encontro no Copacabana Palace, no qual a imprensa se comprometeu a aliviar a pressão, em troca de entrevistas e fotos da bela atriz quando deixasse o Brasil. Dessa forma, Brigitte conseguiu espaço para driblar os repórteres e, com alguma ajuda e disfarce, escapou de barco com o namorado para Búzios, na época uma singela vila de pescadores, usada como refúgio das classes mais abastadas. A pequena e deslumbrante península, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, já possuía diversas casas de veraneio, nas praias de Manguinhos, do Canto e da Armação, onde os ricos desfrutavam uma vida simples.
Naquele tempo, Búzios era como uma ilha, acesso difícil, sem água encanada, luz ou telefone, freqüentada por políticos, artistas e várias personalidades, muitas das quais estrangeiras. Brigitte Bardot e Bob Zagury ficaram hospedados em Manguinhos, na casa do russo André Mouriaev, então representante da ONU no Rio de Janeiro. Longe do assédio da imprensa, BB experimentou a liberdade total. Segundo os relatos, a beldade gostava de nadar sem roupas e ficar completamente nua na praia. Também gostava de andar descalça, de ajudar a puxar as redes dos pescadores, de comer frutas silvestres e de brincar com os animais, além de cantar e tocar violão.
Antes de retornar para a França, Bardot cumpriu sua parte no pacto com a imprensa, dando entrevistas e posando para fotografias. Ainda voltou a Búzios, no natal de 1964, mas nessa segunda visita a imprensa não lhe deu trégua. Anos depois, BB deixaria registrado em sua biografia que os dias de férias que passou na península haviam sido uma das fases mais bonitas de sua vida. A passagem pelo paraíso não deixou marcas apenas em sua memória, a península também guarda a lembrança de Brigitte com muito carinho. Próximo ao Gran Cine Bardot, no trecho em frente à Praia da Armação, batizado de Orla Bardot, há uma estátua de bronze, em tamanho natural, realizada pela escultora Christina Motta em homenagem à atriz que lançou o nome de Búzios na Europa e no mundo.
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