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Em setembro a CowParade vai agitar o Rio

Quando o artista plástico suíço Pascal Knapp expôs a CowParade pela primeira vez, no centro de Zurique, em 1998, talvez sequer imaginasse que sua idéia tivesse tamanho alcance. Depois que vendeu os direitos autorais ao advogado norte-americano Jerry Elbaum, viu o projeto, criado a princípio como uma alternativa à exposição de obras de arte em galerias e museus, ser instalado em diversas cidades ao redor do mundo.

Segundo os organizadores da CowParade Holdings Corporation, mais de quatro mil vacas já foram esculpidas em fibra de vidro e pintadas de diferentes formas, arrecadando mais de onze milhões de dólares para projetos sociais. Depois de passar por Nova York, Londres, Tóquio, Paris, São Paulo e outras 29 cidades, em setembro as “Cowriocas” vão invadir a cidade maravilhosa.

Para a Rio CowParade, foram selecionados 120 trabalhos de artistas convidados, que recebem mil reais de cachê, além do material para executar sua obra. As empresas patrocinadoras pagam uma cota de 35 mil reais por cada uma das 120 vaquinhas, que, ao final da exposição, serão leiloadas num evento beneficente em prol da Obra Social da Cidade do Rio de Janeiro.

Algumas pessoas são contra o projeto, e dizem que a arte é só uma desculpa para colocar mais publicidade no meio do disputadíssimo espaço urbano. Outros julgam que a própria obra pode ser utilizada para “intervenções críticas”. Quando a polêmica exposição foi montada em Belo Horizonte, por exemplo, três esculturas foram alvos de manifestações. As vacas "Cowburguer", “Ouro” e “Mazoca”, foram pichadas com as sugestivas expressões: “fetiche”, "seja vegetariano" e “compre minha dor”.

Matheus Felipe Dias, aluno do curso de design da Universidade Fumec e criador da vaca “Mazoca”, ao invés de se ofender com a violação do seu trabalho, fez uma interessante ponderação: “Acho essas intervenções muito válidas. Uma pichação que passa um ideal não é um vandalismo, é uma forma de passar sua idéia. Se as vacas têm o direito de estar nas ruas, por que as pessoas não teriam o direito de se expressar através delas?”.