Foz do Rio São Francisco - Foto: Sergio Fecuri - EmbraturO governo brasileiro garante que a principal finalidade do projeto de transposição do Rio São Francisco é dar água ao povo que tem sede, vida digna ao sertanejo que sofre as agruras da seca.
O Supremo Tribunal Federal deu parecer favorável à continuação das obras, mas o projeto é polêmico.
Dom Luiz Flávio Cappio, bispo da cidade de Barra, no sertão da Bahia, diz que a transposição do Rio São Francisco será um “golpe fatal à vida do rio”. Consequentemente, será também um golpe mortal ao povo ribeirinho e a todo aquele que depende do Velho Chico.
O bispo sugere que, ao invés da transposição, sejam construídos canais para desviar a água do São Francisco. Pede também a revitalização do rio, a construção de cisternas para armazenamento da água da chuva e a execução de mais de 500 projetos da Agência Nacional de Águas (ANA).
Segundo o teólogo Leonardo Boff, o debate no Supremo Tribunal Federal foi mal colocado. "A questão central não era de ecologia ambiental mas de ecologia social. Não se tratava apenas de decidir se o megaprojeto do governo implicava impactos ambientais danosos, coisa que o Ibama, numa decisão discutível, garantiu não haver.
O que se tratava, acima de tudo, era de ecologia social: a quem beneficia socialmente o faraonismo daquela projeto governamental? Aos sedentos do semi-árido ou ao agronegócio e às indústrias? Os dados falam por si: cerca de 75% da água se destina ao agronegócio, 20% às indústrias e somente 5% à população sedenta." Leia mais >